quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Viva! Estão descobrindo o Brasil.
POR RILDO FERREIRA

Senhoras e senhores. No Globo on-line de hoje, 16, publicaram uma matéria traduzindo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2007 que mostram que “51,5%, dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar até o final de 2007 não conseguiram completar o ensino básico ou apenas lê e escreve”. Ora bolas! Isto não é nenhuma novidade. Aliás, foi mantendo o povo analfabeto e desqualificado ao voto que uma oligarquia manteve-se hegemônica e no poder até bem pouco tempo, digamos, até FHC. Este propósito teve, inclusive, conseqüências dramáticas, como foi o caso das ‘cecas’ (ou ‘sercas’ ?) que construíam barragens dentro das fazendas dos culturalmente educados, letrados, e deixavam os analfabetos dependentes de favores deles.

A matéria me pareceu ideológica. Daquelas que já apontam algumas posições políticas para as próximas eleições. Vejam que a ênfase está no nordeste, onde LULA obteve uma maioria esmagadora dos votos. Eles dramatizam: “ O Nordeste, sozinho, tem 4,2 milhões de eleitores analfabetos, número maior que a soma de 3,6 milhões de todas as demais regiões do país”. Com efeito. Esse número já foi muito maior. Hoje os oposicionistas tentam de toda maneira impedir o governo de levar adiante projetos populares que permitam ao povo ainda desescolarizado uma educação mínima. Há quanto tempo ouviu-se falar que uma professora pública do sertão nordestino ganhava menos que um salário mínimo para exercer a profissão? E quem estava no poder que permitia isto e fechava os olhos e ouvidos para não provocar uma mudança neste quadro?

O Programa de Desenvolvimento da Educação do atual governo tenta fazer acontecer um piso nacional de salários para os educadores exercerem com um mínimo de decência a sua profissão. É o ideal? Claro que não! Não é o ideal mas é o que está sendo possível neste momento. Muito mais, aliás, que qualquer outro governo já tenha feito pelo Norte/Nordeste do país. E tem aquela questão do bolsa-família que os oposicionista consideram eleitoreiro (engraçado que quando era o bolsa FHC era um programa social, em parte manipulado pela Sra. FHC), logo o atual governo que não permitiu que este programa fosse papel-de-voto dos deputados, vereadores, prefeitos e senadores, fazendo com que o benefício fosse pago diretamente nos caixas da Caixa Econômica Federal e nas Loterias de todo o país. Deixou de ter aquele contato que parecia que quem oferecia o benefício era o ‘vereadorzinho’ ou o ‘deputadozinho’. Agora é na boca do caixa mano. Quem garante o benefício é o governo federal independente de quem esteja lá no poder.

Muito bem. O bolsa-família exige que para receber o benefício os pais precisam manter os filhos na escola com freqüência mínima de 75% e é preciso manter a caderneta de vacinação em dia. Tira-se o benefício e as crianças voltam para a lavoura. Muitas famílias do Norte e Nordeste brasileiros melhoraram de vida a partir desse benefício (que em tempos não muito distantes ficavam nas mãos dos parentes dos vereadores, prefeitos, deputados e senadores sem chegar a quem realmente precisava). Há distorções a serem corrigidas? Claro que há! Mas não se pode negar que o grau de desonestidade está a níveis muito baixos. Pois bem, para concluir, quero lembrar que os dados são atuais, mas não são novos. Que tal se comparássemos com dados de 8 anos antes para verificar qual o grau de ideologia desta matéria proposta pelo O Globo?

2 comentários:

ELCAlmeida disse...

Acho que se substituir a nacionalidade e o nome do presidente a situação é quase que rigorosamente igual.
Também em Angola as eleições estão próximas e o grau de escolaridade é baixo, efeitos da guerra, é certo, mas não unicamente, e pelo facto de haver uns quantos que têm milhares de milhões e milhões sem nada.
Abraços
Eugénio Almeida

Evangelista Leonardo Gomes disse...

Este abismo existente entre o Educador e o educando é notavél, e como deixa claro o artigo em discussão isto ocorre em consequência desta prática de ensino hoje exercida. Enquanto não existir por parte dos educadores uma sensibilidade e consciência de seu papel como transfomador do meio a qual ele estar inserido esta distancia entre professor e aluno, entre conteúdo e a prática continuará a existir em grandes proporções.